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Novamente Geografando

Este blog organiza informação relacionada com Geografia... e pode ajudar alunos que às vezes andam por aí "desesperados"!

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Mudanças nas práticas dos consumidores: como as baterias dos telemóveis podem contribuir para a eficiência energética

Mäyjo, 22.04.20

 

 

Se tem um smartphone já deve ter reparado na rapidez com que o pequeno aparelho fica sem bateria. Por isso há quem ande sempre com o carregador ou tenha comprado uma bateria de reserva ou power bank. Mas também há quem esteja a desenvolver uma nova prática: gerir o telemóvel de modo a evitar gastar energia desnecessariamente e assim prolongar a duração da bateria.

Uma investigação realizada recentemente mostra que gerir a energia do telemóvel é uma nova prática de muitos adolescentes. Sendo o grupo etário que mais utiliza o telemóvel e tendo geralmente grande facilidade em utilizar tecnologias eletrónicas, parte dos adolescentes está a adquirir um hábito que consiste em usar energia com mais eficiência. Este know-how poderá ser aplicado noutros domínios da sua vida quotidiana, com benefícios tanto a nível económico como ambiental. Dada a necessidade urgente de tornar sustentáveis as sociedades contemporâneas, o desenvolvimento desta prática é muito interessante do ponto de vista da mudança de comportamentos no sentido de um consumo de energia mais sustentável. Esta investigação mostra o processo de adoção desta prática, contribuindo para compreender como se processam algumas mudanças nos comportamentos relacionados com o consumo de energia.

A questão de como promover a mudança de comportamentos no sentido da adoção de práticas quotidianas mais sustentáveis tem sido amplamente debatida. Apesar de todas as campanhas de sensibilização realizadas, a concretização destas mudanças tem-se revelado muito difícil, em parte porque as nossas atitudes, valores e informação nem sempre se traduzem naquilo que fazemos na prática. E assim dificilmente mudamos muitos dos nossos hábitos, mesmo sabendo que são pouco recomendáveis do ponto de vista ambiental, económico ou da nossa própria saúde. Mais investigação sobre como surgem e se transformam os nossos hábitos é, por isso, fundamental.

artigo agora publicado sobre o modo como os adolescentes portugueses utilizam o telemóvel e as suas implicações em termos de consumo de energia ajuda a compreender que fatores estão envolvidos na formação de hábitos de utilização de energia com mais eficiência.

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Copyright da foto: Ruslan / 123RF Stock Photo

Com base num inquérito e em entrevistas realizadas a adolescentes em Lisboa, a equipa observou três fases na formação das práticas de gestão da energia do telemóvel. Numa primeira fase, em que os utilizadores começaram a usar telemóvel, as suas competências relativas ao uso deste aparelho (bem como ao seu consumo energético) eram ainda elementares: limitavam-se a ligar o telemóvel ao carregador quando a bateria acabava. Uma segunda fase inicia-se quando trocam o telemóvel anterior por um smartphone e aceleram o seu ritmo de utilização do telemóvel. Nessa altura a necessidade de orquestrar a bateria disponível relativamente às diversas circunstâncias de utilização do telemóvel (como o facto de estarem fora de casa sem o carregador ou terem usado as redes sociais ao longo do dia através do Wi-Fi da escola) faz emergir práticas de gestão do aparelho que permitam prolongar a energia disponível na bateria. Na terceira fase estas práticas tornam-se normais, passando a fazer parte das suas rotinas diárias e permitindo integrar com sucesso o telemóvel nas diversas atividades da vida quotidiana. Evitam assim situações de rutura, como ficar sem bateria quando precisam de avisar os pais para ir buscá-los ou quando querem manter-se ativos nas redes sociais.

Estas práticas de gestão do telemóvel incluem ações como desligar o acesso a redes (Wi-Fi, Bluetooth) e determinadas funções quando não são necessárias, reduzir o brilho do ecrã, fechar as aplicações depois de usá-las, desinstalar aplicações que não são usadas e ativar o modo de poupança de energia.

Para que estas práticas sejam adotadas e reproduzidas é fundamental a articulação de diversos elementos. O artigo mostra como se estabelecem e são cruciais as interligações entre infraestruturas (como a expansão da rede de internet wireless nas escolas, transportes públicos e em casa dos adolescentes), objetos (as características do próprio telemóvel e suas aplicações, que o tornam tão apelativo mas, simultaneamente, grande consumidor de bateria), contexto sociocultural (em que se inclui a pressão social no sentido de se ser popular, participar ativamente nas redes sociais ou ter um telemóvel topo de gama em vez de um “tijolo”, por exemplo) e disposições incorporadas (como a necessidade que sentem de ter sempre o telemóvel consigo ou o hábito de pegar no aparelho e verificar se há novas mensagens, mesmo não tendo recebido qualquer notificação).

Embora nem todas as práticas de gestão do telemóvel adotadas pelos adolescentes para que não fiquem sem bateria sejam formas de eficiência energética, uma vez que não evitam consumos energéticos desnecessários (como quando usam um outro equipamento para ouvir música ou aproveitam estar a carregar a bateria para fazer coisas que sabem que consomem bastante energia, como ver vídeos, por exemplo), importa salientar o potencial do desenvolvimento destas competências do ponto de vista da adoção de comportamentos mais sustentáveis. De facto, o know-how e os hábitos assim adquiridos poderão manter-se no futuro e, inclusivamente, estender-se à utilização de outras tecnologias. No entanto, a reprodução desta prática irá sempre depender das interligações entre os diversos elementos que lhe deram origem.

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Copyright da foto: Andrey Kiselev / 123RF Stock Photo

 

in: Ambiente Território Sociedade

https://ambienteterritoriosociedade-ics.org/2016/02/17/mudancas-nas-praticas-dos-consumidores-como-as-baterias-dos-telemoveis-podem-contribuir-para-a-eficiencia-energetica/?fbclid=IwAR1e4Q97yUkK1u9El6DqUChG9F89F9om08OHBytz0hdqvoTMlZFpGq4PlLs

E se deixar de mexer no telemóvel desse água?

Mäyjo, 04.02.16

 

Ficar dez minutos sem mexer no telemóvel dá um dia de água potável a crianças carenciadasA Unicef, há quase 2 anos, teve uma iniciativa , chamada Tap Project. Pediu a todos os utilizadores de iPhone para deixarem o seu smartphone parado, em cima de uma superfície rígida, durante dez minutos. Se o conseguissem fazer, o desafiado conquistava um dia de água potável para uma criança que não tinha acesso a este recurso.

A campanha pode parecer artificial, mas a Unicef dizia que ela ajudaria algumas das 768 milhões de pessoas do mundo, que ainda não possuem acesso a água potável, a garantir este recurso básico.

O smartphone tinha de estar ligado no site da campanha e o utilizador deveria carregar no start. A cada dez minutos sem mexer no aparelho, os patrocinadores da Unicef garantiam que uma criança teia acesso a água potável.

A cada desafio cumprido, eles comprometiam-se a doar a quantia necessária para fornecer água para uma criança necessitada.

A ideia é consciencializar as pessoas para o problema da falta do recurso no mundo – e para a importância em economizá-lo – ao tirar destas algo que realmente elas dão importância, o telemóvel – neste caso o iPhone, uma vez que o jogo não funciona com nenhum outro smartphone. É que o site da campanha lê os sensores, precisamente, do iPhone, pelo que se o utilizador mexer nele, ele recebe essa informação.

O recorde do Tap Project é de mais de 275 horas sem mexer no aparelho, o que significa que este utilizador já garantiu um dia de água para 1.650 crianças necessitadas.

Ainda que seja por uma boa causa, este projecto acaba por deixar uma sensação estranha no ar. Não haverá uma forma mais simples – e quiçá menos interesseira – de ajudar quem não tem acesso a água potável?

Foto:  DFAT photo library / Creative Commons